GTEP na Anpuh 2017 – Brasília

As inscrições para o XXIX Simpósio Nacional Anpuh começaram e o GT Emancipações e Pós-Abolição conta com propostas aceitas entre os simpósios temáticos e minicursos!

SIMPÓSIO TEMÁTICO 108 – PÓS-ABOLIÇÃO: RACIALIZAÇÃO, MEMÓRIAS E PROTAGONISMOS NEGROS

Coordenação: Álvaro Pereira do Nascimento (UFRRJ – IM) e Ana Flávia Magalhães Pinto (Unicamp – Pós-Doc)

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Este Simpósio Temático, vinculado ao GT Emancipações e Pós-Abolição-ANPUH, busca contribuir para os debates da história social da escravidão e do pós-abolição. Em atenção aos processos de emancipação e às lutas por liberdade e cidadania anteriores à assinatura da Lei Áurea, consideramos importante destacar o papel que pessoas escravizadas, libertas e livres “de cor” desempenharam nesse cenário por meio de suas trajetórias individuais e/ou coletivas, assim como aprofundar as discussões sobre significados da liberdade, lutas por direitos e conquista de lugares sociais diversos antes e depois de 13 de maio de 1888. Tendo em vista o pós-abolição como conceito e temporalidade, conforme pontuam Frederick Cooper, Thomas Holt e Rebeca Scott, interessa-nos refletir acerca das construções identitárias em jogo no referido período, bem como suas implicações políticas, conteúdos culturais e transformações entre os séculos XX e XXI. Para isso, nosso Simpósio Temático congregará pesquisas relacionadas às configurações sociais estabelecidas no imediato pós-Abolição; às práticas de associativismo negro em seus diferentes momentos, práticas e formas; às memórias da escravidão e da liberdade; à história do trabalho escravo, compulsório e livre; à justiça como espaço de luta por direitos; às relações de negros com outros grupos étnico-raciais; à participação nas forças armadas; à atuação na política institucional e em movimentos sociais; às trajetórias familiares; aos discursos cientificistas sobre raça; às lutas antirracistas; às religiosidades; às relações interseccionais entre gênero, raça, classe e sexualidade.

Justificativa: O Simpósio Temático Pós-abolição: racialização, memórias e protagonismos negros é uma iniciativa do GT Nacional Emancipações e Pós-Abolição, que agrega pesquisadoras/es brasileiras/os com produções sobre escravidão, liberdade, raça, trabalho, pós-abolição, memórias, relações de gênero, entre outros temas. Criado no XXVII Simpósio Nacional de História da ANPUH − 2013, em Natal, Rio Grande do Norte, o GT conta com a coordenação coletiva de Beatriz Loner, Giovana Xavier e Lourival dos Santos, e possui representações em diversas seções estaduais da ANPUH. Pretendemos dar prosseguimento aos debates iniciados nos simpósios temáticos nacionais “Pós-Abolição: racialização e memória”, coordenado por Hebe Mattos e Karl Monsma (2011); “Pós-Abolição: trabalho, racialização e memória”, coordenado por Álvaro Pereira do Nascimento e Hebe Mattos (2013); e “Da Escravidão e da Liberdade: processos, biografias e experiências da abolição e do pós-emancipação em perspectiva transnacional” (2013), sob a coordenação de Flávio dos Santos Gomes e Maria Helena Machado. O que se propõe aqui, portanto, se fundamenta no trabalho de fortalecimento de uma rede de historiadoras/es que se dedicam ao estudo de sujeitos, trajetórias e processos levados a cabo em período posterior – e também anterior − à Abolição da escravidão, bem como no fomento da produção historiográfica neste campo temático, que tem se multiplicado e qualificado ao longo das últimas décadas.

Fruto de uma dinâmica intensa de acesso à alforria, o Brasil chegou às primeiras décadas do século XIX contando com uma expressiva parcela de pretos e pardos vivendo na condição de livres e libertos, e em meio a um cenário inegavelmente fundamentado na escravidão. Nas décadas seguintes, esse contingente populacional seguiu crescendo em número e importância, paralelamente à permanência do escravismo legal até 1888. O reconhecimento das peculiaridades de tal cenário, ao passo em que fundamenta uma crítica à rígida dicotomia entre escravidão e liberdade, convida à reflexão sobre possíveis fontes e acervos documentais, procedimentos metodológicos e categorias analíticas que tendem a subsidiar novas e renovadas abordagens sobre as trajetórias e práticas sociais desses sujeitos e dos problemas que se tornam centrais nos estudos do pós-abolição. Por sua vez, no período subsequente a 1888, as disputas em torno das identidades assumidas pelos egressos do cativeiro estavam diretamente relacionadas à (re)definição dos lugares sociais por eles ocupados em uma sociedade na qual a instituição escravista não mais existia. A reorganização das relações de trabalho, a conquista de espaços de cidadania, as formas de expressão cultural, as questões de gênero, raça, classe, sexualidade são alguns aspectos que estão ligados à reelaboração identitária e dos lugares sociais desses sujeitos que não eram mais escravos e nem podiam/deveriam mais ser confundidos com tal.

De tal sorte, este Simpósio Temático insere-se na nova historiografia sobre a escravidão e o pós-abolição que destaca o papel que mulheres e homens escravizados desempenharam na aceleração do fim da escravidão, como também tem evidenciado trajetórias de libertos e livres, significados da liberdade, lutas por direitos e pela conquista de lugares sociais diversos.

As inscrições vão até 06/03/2017!

MINICURSO 12 – ENTRE CARNAVAIS E BATUQUES: COLONIALISMO E RACISMO NO CARIBE INGLES E NA ÁFRICA PORTUGUESA (1881-1975)

Coordenação: Eric Brasil (Doutor – Secretaria Municipal de Educação da Cidade do Rio de Janeiro) e Matheus Serva Pereira (Doutor)

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Ementa: Nas duas últimas décadas, a historiografia brasileira tem produzido número crescente de estudos sobre a diáspora africana e sobre a história da África. Tangenciando temas em comum, esses estudos, se pensados em perspectivas transnacionais, são capazes de dialogar e encontrar similaridades e diferenças fundamentais para compreender as experiências dos povos subalternos, tanto em regimes coloniais quanto em sociedades independentes que vivenciaram regimes escravistas. Tomando como ponto de partida as pesquisas que os proponentes vêm realizando, o minicurso se propõe a pensar experiências negras e das populações classificadas como indígenas pelo colonialismo português, em espaços urbanos diretamente afetados pelo colonialismo europeu e as diferentes expressões do racismo, cujo auge pode ser demarcado entre finais do século XIX até o fortalecimento dos movimentos de independência, após a 2ª Guerra Mundial. Através de uma perspectiva que une a história social da cultura com a história transnacional, o minicurso pretende caracterizar como essas populações atuaram, resistindo, negociando, se adaptando, em contato e conflito com autoridades imperiais, enfrentando de maneiras variadas os debates em torno dos sentidos de civilização e barbárie, modernidade e atraso, trabalho e vadiagem, ordem e desordem. A partir do estudo de caso de duas importantes cidades – Port-of-Spain, capital de Trinidad e Tobago, e Lourenço Marques, atual Maputo, Moçambique -, pretendemos discutir as experiências e ações dos próprios sujeitos sociais, tendo como porta de entrada seus carnavais e seus batuques. Ambas as cidades cresceram e se consolidaram como importantes centros econômicos, políticos e culturais para suas respectivas metrópoles durante o período. Nesse contexto, as músicas, as festas, as práticas culturais foram caminhos muito importantes para refutar o olhar e as ações colonialistas e racistas, tanto no Caribe inglês quanto na África portuguesa.

MNICURSO 22 – IMPRENSA NEGRA NO BRASIL: RAÇA, CLASSE E GÊNERO EM ESCRITOS DA MAIORIA

Coordenação: Ana Flávia Magalhães Pinto (Unicamp – Pós-Doc) e Maria Cláudia Cardoso Ferreira (Unilab)

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Ementa: A proposta deste minicurso se estrutura a partir do mapeamento e da coleta de mais de uma centena de títulos publicados no Brasil a partir 1833, em diferentes localidades do Rio de Janeiro, de Pernambuco, São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo, Distrito Federal, etc. Além de apresentar um panorama da imprensa negra brasileira, ao facultar o contato das/os cursistas com fragmentos do material empírico disponível, objetivamos problematizar os significados da edição de jornais negros em diferentes momentos da história nacional, no que diz respeito a práticas de sociabilidade, associativismo, educação, ativismo político, identidades e relações de gênero e sexualidade, entre outros temas.

As inscrições para os minicursos vão até 14/07/2017
Mais informações em: http://www.snh2017.anpuh.org/site/capa

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