GT Emancipações e Pós-Abolição avança na consolidação de ações em nível nacional

De 24 a 28 de julho, na Universidade de Brasília, antigas/os e novas/os integrantes do Grupo de Trabalho Nacional Emancipações e Pós-Abolição se beneficiaram das oportunidades criadas no XXIX Simpósio Nacional da Anpuh para compartilhar resultados de pesquisa, participar de debates e minicursos, bem como definir os próximos passos do próprio GT em níveis regional e nacional.

 

Minicursos

A começar pelos minicursos, estudantes de graduação, professores/as da Educação Básica, pós-graduandos/as e pesquisadores/as independentes puderam dialogar sobre temas caros aos estudos da liberdade e do pós-abolição.

Os professores Eric Brasil (Unilab/Malês) e Matheus Serva Pereira (Unicamp) ministraram o minicurso “Entre Carnavais e Batuques: colonialismo e racismo no Caribe Inglês e na África Portuguesa (1881-1975)”. Num esforço de aproximação com o GT de História da África, representado por Matheus Pereira, o minicurso procurou pensar experiências negras e das populações classificadas como indígenas pelo colonialismo português, em espaços urbanos diretamente afetados pelo colonialismo europeu e as diferentes expressões e práticas racistas. As aulas buscaram caracterizar como essas populações atuaram, resistindo, negociando, se adaptando, em contato e conflito com autoridades imperiais, enfrentando de maneiras variadas os debates em torno dos sentidos de civilização e barbárie, modernidade e atraso, trabalho e vadiagem, ordem e desordem – inclusive abrindo possibilidades de estudos comparativos e transnacionais, aproximando com experiências no Pós-Abolição brasileiro.

Já as professoras Ana Flávia Magalhães Pinto e Maria Cláudia Cardoso Ferreira ofereceram o minicurso “Imprensa negra no Brasil: raça, classe e gênero em escritos da maioria”. A proposta se originou dos esforços de mapeamento e coleta de mais de uma centena de títulos publicados no Brasil a partir 1833, em diferentes localidades, a exemplo do Rio de Janeiro, Pernambuco, São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo, Distrito Federal, etc. Além de apresentar um panorama da imprensa negra brasileira, ao facultar o contato das/os cursistas com fragmentos do material empírico disponível, os encontros favoreceram a problematização dos significados da edição de jornais negros em diferentes momentos da história nacional, no que diz respeito a práticas de sociabilidade, associativismo, educação, ativismo político, identidades e relações de gênero e sexualidade, entre outros temas. O retorno da turma foi bastante positivo e até mesmo possibilidades de incorporação do material em sala de aula foram construídas.

 

Simpósios Temáticos

Mas o grande momento das ações do GT no Simpósio da Anpuh foram indiscutivelmente as apresentações e os debates nos Simpósios Temáticos. Foram dois ST oficialmente vinculados ao GT, a saber, “Pós-abolição: racialização, memórias e protagonismos negros” e “Reeducação étnico-racial e ensino de História: diálogos possíveis, relações necessárias”.

Já na preparação, o ST “Pós-abolição: racialização, memórias e protagonismos negros”, coordenado por Álvaro Pereira do Nascimento e Ana Flávia Magalhães Pinto superou as expectativas iniciais. Foram 52 inscrições, para as 34 vagas oferecidas pela Anpuh, tendo sido necessário pleitear uma vaga extra, a fim de contemplar o maior número de propostas possíveis. O que se viu durante as tardes e a manhã de exposições e diálogos não poderia ter sido melhor. Além de alcançarmos uma rica variedade de temas e representatividade regional, os trabalhos apresentados serviram para certificar os avanços obtidos pelo campo de estudos nos últimos anos. Cabe destacar o animado clima de colaboração no qual se deram os debates e comentários. Um ambiente que mobilizou até mesmo a boa parcela das pessoas que, mesmo não estando inscrita no ST, acompanhou as apresentações a despeito do avançado da hora.

 

Reunião Administrativa do GT Nacional

Na reunião administrativa, realizada no dia 27 de julho de 2017, escolhemos a nova gestão do GT Emancipações e Pós-Abolição. Foi uma bela tarde de encontros, abraços, debates, discussões e projetos. Ao final, reforçamos nossa posição como um grupo que defende a construção de uma história pública antirracista – cerne de nossas aspirações desde a fundação do GT em 2013.

Produzimos coletivamente moção de repúdio aos ataques judiciais contra historiadores cujas pesquisas respaldaram lutas de comunidades remanescentes de quilombo pelo direito à posse da terra. Elaboramos moções de apoio às universidades estaduais do Rio de Janeiro (Uerj, Uezo e Uenf) assim como em defesa do projeto da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-brasileira (Unilab). Todas assinadas em conjunto com os GTs de História da África e de História Indígena e aprovadas na Assembleia Geral da Anpuh.

Uma conquista importante foi a aprovação, na Assembleia Geral, da proposta à diretoria da Anpuh Nacional em nome do compromisso com a representatividade étnico-racial e de gênero nos espaços de fóruns, debates e eventos da associação (em todos os espaços: conferencistas negros, comitês científicos, diálogos contemporâneos).

A preocupação constante de produzir pesquisas históricas e atuação pública que possibilitem a ampliação de direitos, a conquista de espaço e o combate ao racismo, como nos biênios anteriores, informou a escolha dos/as novos/as coordenadores/as do Gtep para o Biênio 2017-2019:

 Coordenação Nacional

Ana Flávia (Pós-doutoranda UNICAMP)

Eric Brasil (UNILAB/Malês)

 

Representantes das seções regionais

Norte: Julio Claudio Silva (UEA)

Nordeste: Luciana Brito (UFRB) e Maria Emília Vasconcelos (UNICAP)

Centro Oeste: Manuela Areias (UNEMAT)

Sudeste: Lívia Monteiro Nascimento (Celso Lisboa) Clícea Miranda (Intelectuais Negras)

Sul: Fernanda Oliveira (UNIRITTER)

 

Comissão de Comunicação

Clícea Maria Miranda

Jonatas Roque Ribeiro

Leonardo Angelo da Silva

Lívia Tiede

Maria do Carmo Moreira Aguilar

 

Seminário Internacional

Outra deliberação da reunião administração diz respeito à realização do II Seminário Internacional “Histórias do Pós-Abolição no Mundo Atlântico – 130 anos da Abolição no Brasil”, previsto para acontecer em maio de 2018, nas dependências da Faculdade Getúlio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro. Neste momento, a Comissão Executiva, formada por Álvaro Nascimento, Ana Flávia Magalhães Pinto, Eric Brasil, Fernanda Oliveira e Hebe Mattos, trabalha nas articulações necessárias para finalização do projeto. Logo mais, será aberta a chamada para inscrição gratuita de propostas de comunicações.

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